Desenhos infantis revelam sonhos e ajudam a identificar problemas como agressividade, timidez ou insegurança
Por Rose Campos (Extraído)
É inevitável: em algum momento toda criança pede papel e lápis para desenhar. O resultado pode variar de rabiscos, bolinhas e manchas disformes até a indefectível casinha, mas dificilmente será uma transposição fiel da realidade. Poucos adultos conseguem perceber o quanto o desenho infantil pode ser revelador: traduz o grau de maturidade da criança, seu equilíbrio emocional e afetivo, seu estágio de desenvolvimento motor e cognitivo.
Pais que dão pouca atenção às garatujas produzidas por seus filhos ou educadores que encaram a atividade de desenhar como um tapa-buracos para os instantes de sua ausência em sala de aula estão perdendo uma grande oportunidade. Em muitos casos, o desenho pode expressar sensações e sentimentos que a criança não conseguiria mostrar de outra forma. Observando melhor as linhas do desenho infantil, é possível descobrir atrasos no ritmo de desenvolvimento, excesso de timidez ou mesmo dificuldades no relacionamento familiar.
Embora não haja regras fixas, há muito a ser observado no desenho. O exemplo da casinha, tão comum na temática infantil, por si só já é bastante rico. Casas feitas no ar, sem um chão, uma base, podem representar essa falta de parâmetros ou de segurança da criança. Janelas e portas muito pequenas podem significar sua dificuldade de abertura e de contato com o mundo externo. Ou podem ter conotação de tristeza ou timidez. Uma grande variação de cores pode representar alegria e expansão. O telhado da casa costuma ser muito importante, pois simboliza o conteúdo de sonhos e fantasias.
Os primeiros registros de linguagem escrita, ainda na pré-história, tinham a significativa forma de desenhos. As chamadas pinturas rupestres, encontradas nas paredes de antigas cavernas, traziam a representação simbólica da forma de viver do homem primitivo, seus conhecimentos, seus medos, suas divindades. De forma análoga, assim como foi marcante nos primórdios da evolução histórica, também no início do processo de desenvolvimento humano, o desenho cumpre um papel relevante.
"O desenho surge antes da escrita e se constitui numa forma de expressão bastante espontânea da criança, revelando sua maneira de ver o mundo", resume Mônica Guttmann, psicóloga e especialista em arte-terapia e arte-educação pelo Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo.
"A criança está integralmente presente em tudo o que faz, principalmente quando existe um espaço emocional que o permita. Existe um pensar por trás do seu fazer, por trás de suas pequenas operações, como subir e descer uma escada, balançar insistentemente um chocalho, amassar um papel", comenta Edith Derdyk, artista plástica e educadora, em seu livro Formas de Pensar o Desenho (leia mais na pág. 34).
Nem sempre o adulto consegue captar no papel a rapidez do raciocínio infantil. Se a criança desenha uma chuva que derrubou a casa, talvez seja porque ela está passando por um momento tempestuoso. Mas logo depois ela pode vislumbrar e desenhar o sol. Misturas de temas como essas podem ser erroneamente interpretadas como algo confuso ou conflitante. Por isso é tão relevante observar também o contexto e dialogar com os pequenos desenhistas.
Maria Alice Proença é coordenadora de educação infantil da Escola Lourenço Castanho e trabalha no maternal com crianças de 1 a 4 anos. O desenho e outras expressões artísticas ocupam espaço privilegiado no projeto pedagógico da escola e são vistos como outras formas de comunicação da criança, sem a preocupação em avaliar. "O educador olha se a criança está explorando os movimentos das garatujas, procurando oferecer estímulos", diz Maria Alice. Ela explica que se o aluno não ocupa todo o espaço da folha, provavelmente não ocupe todo o espaço do ambiente – o que pode acontecer por pura timidez (leia mais no quadro à pág. 35). Se for assim, a professora leva a criança a explorar melhor o pátio da escola, por exemplo.
Até os 4 anos, as crianças ainda não desenham figuras, mas há uma evolução nas garatujas. O traçado começa linear, passa a ser circular e aos poucos a criança sai de pontos específicos e consegue usar todo o papel. A escolha de cores não é tão importante nessa idade, quando os arabescos tendem a ser monocromáticos. Quando a criança consegue evoluir das linhas retas para as bolinhas é sinal de que está concluindo o maternal. "E aí já se refere a si como ‘eu’", explica Maria Alice. Coincidentemente, o fechamento do círculo no papel simboliza o fechamento do ciclo básico do desenvolvimento, importante tanto para sua estruturação como indivíduo quanto para formar a competência para a escrita.
Tereza Cristina Pedroso Ajzenberg, psicóloga especializada em gestalt terapia e arte-terapia pelo Instituto Sedes Sapientiae, ressalta que o desenho conta tanto da realidade objetiva quanto da subjetiva de quem o faz.
Ela explica que há uma ampla gama de sinais reveladores nessa produção, mas eles não devem ser avaliados segundo um padrão. E aconselha investigar não necessariamente o diferente, mas aquilo que denota tristeza ou angústia. Desenhar e apagar seguidamente pode revelar apenas a preocupação em apresentar um resultado bonito. Ou, em alguns casos, certa angústia. Discernir entre uma situação e outra pressupõe contato e interação com o autor do desenho, não privilegiando o resultado estético, mas a história que a criança deseja contar. A representação de um acidente, por exemplo, não faz necessariamente parte da vida da criança. Às vezes, surge em seu desenho depois de algo visto na rua ou na TV.
"Buscar o desenho na comunicação com crianças é privilegiar um referencial mais próximo delas", defende Paula Fontana Fonseca, psicanalista. Ela vê os recursos lúdicos como fortes aliados em situações traumáticas, mesmo quando a criança já domina o discurso verbal. O desenho pode ser de grande ajuda para a criança em situações como a violência doméstica – quando há dificuldade em falar, falta de compreensão do que aconteceu ou incapacidade de dar nome aos próprios sentimentos.
Myrian Bove Fernandes, gestalt terapeuta, alerta para o perigo de se tirar conclusões precipitadas por causa do desenho dos pequenos: "Imaginar que uma criança tem problema porque só pinta usando a cor preta, por exemplo, pode ser muito perigoso. Ela pode ter escolhido a cor porque dá mais contraste no papel e fica mais bonito."
Myrian lembra a preocupação de um profissional e dos pais de um garoto com o hábito do filho de picar minhocas. Procuravam investigar a causa de sua agressividade até ouvi-lo dizer para a minhoca esquartejada: "Olha, agora você já tem muitos amiguinhos." O caso serve para lembrar que enquanto o adulto corre o risco de se fechar em grandes teorias e volteios de interpretações, a criança pode simplesmente dizer que "não é nada disso."
Um dos testes clássicos com utilização do desenho infantil é denominado HTP (sigla para House, Tree, Person, "casa", "árvore" e "pessoa"). Trata-se de um tipo de teste de projeção e recebe esse nome por ter o objetivo de fazer a pessoa expressar fora o que está dentro. Os três elementos do HTP foram escolhidos por serem símbolos universais. Crianças de todo o mundo, em qualquer tempo, repetirão esses símbolos. A casa oferece uma riqueza de interpretações tanto no sentido de representar o abrigo familiar quanto a estrutura psicodinâmica da própria criança. A árvore representaria suas relações com o mundo e a pessoa, o "eu". O HTP é um teste com fundamento científico comprovado, bastante utilizado nas clínicas de atendimento psicoterapêutico infantil e em algumas instituições.
Tereza Cristina afirma que a grande preocupação com a criança, principalmente na escola, é com relação à alfabetização e ao rápido domínio da linguagem escrita. Não haveria problema se essa expectativa de competência não concorresse, ao mesmo tempo, com uma certa repressão do ato de desenhar. "Questões de lateralidade e uso de espaço, que poderiam ser mais bem resolvidas com a experiência do desenho, acabam sendo prejudicadas pela escrita."
A psicóloga conta que tem recebido em seu consultório crianças muito inibidas para desenhar. Uma delas, de 6 anos, havia sido informada para não fazer mais olho em formato de bolinha – tinha de se preocupar com as dobras das pálpebras. Enquanto são pressionadas pelo excesso de rigor estético em desenhos dos quais se exige cada vez mais realismo, as crianças são privadas de exercitar livremente a criatividade.
Aicil Franco, psicóloga clínica com formação junguiana, trabalha com crianças, adolescentes e adultos. Se a criança sente-se insegura para desenhar, Aicil aconselha o uso da argila ou da pintura. Além de ajudar a criança a se expressar, essas atividades proporcionam um equilíbrio emocional capaz de prevenir doenças físicas e afetivas. "Se o professor se conscientizar de que o desenho, o teatro e a brincadeira são essenciais no mundo da criança, pode usar esses recursos para ensinar até matemática", acredita.
O mais importante, entretanto, é perceber o quanto a criança se sente orgulhosa daquilo que faz. São atitudes altamente positivas a da mãe ao emoldurar o desenho do filho ou a do professor ao expor a ilustração do aluno no quadro da classe. A pior resposta do adulto é a indiferença.
Fonte: http://www.revistaeducacao.com.br/apresenta2.php?pag_id=401&edicao=264
De bem com a vida!
Chafic Jbeili
É incrível como se pode viver bem como o pouco que se tem, mas há pessoas que insistem em viver mal e conviver pior ainda.
Eu li em algum lugar que os problemas não acontecem para nos fazer sofrer, mas para nos fortalecer e nos fazer amadurecer na arte de lidar com conflitos, pois nisto consiste o verdadeiro sentido da convivência: administrar conflitos.
Esta semana alguém reclamou que eu compartilho minhas experiências em EAD em sala de aula. Enquanto na minha mente eu estou oferecendo subsídios para que a pessoa amplie seu leque de possibilidades profissionais e acadêmicas, há ainda alguém que reclame. Até entendo se fosse em qualquer outra aula, mas foi exatamente em “Tecnologias na Educação”. Dá para entender?
Uma senhora me ligou, nem mesmo iniciou a conversa com um “boa tarde!” e já foi perguntando sobre “material de psicopedagogia” e quando eu perguntei se era sobre o curso de desenho infantil ela desligou na minha cara. Se o problema era a conta de telefone podia ter ligado a cobrar, mas se o problema for de educação, então eu lamento muito, não posso ajudá-la.
Pessoas impacientes, estressadas, mal amadas, frustradas com suas irrealizações e desafetos mal resolvidos. Vivem como se os outros tivessem a obrigação de servi-las ou aturá-las. Quem dera eu pudesse não encontrá-las jamais, pois estou de bem com a vida e quero conviver com pessoas que também estejam.
Quando se está perto de quem está de bem com a vida nenhum obstáculo é bastante para coibir a vontade e o desejo de superá-lo.
Portanto, caro leitor, afaste-se de gente mesquinha e frustrada para não ser contaminado com a arrogância e a falta de tato na lida com pessoas. Mau-humor (com “u” mesmo) pega e adoece! Xô! Aff!!!
Arte Aplicada a Aprendizagem
Chafic Jbeili
Tenho recebido indagações de dezenas de pais preocupados com o baixo rendimento escolar e desinteresse geral por parte de seus filhos. A sensação que os pais têm é que quanto mais investem e se dedicam na aprendizagem do filho, mais este se sai mal na escola e no convívio familiar.
A procura por explicações sobre esse fenômeno não é nem tanto pelo baixo rendimento escolar, mas pela curiosidade e até pelo inconformismo vivenciado pelos pais na relação dedicação versus rendimento dos filhos. O que acontece então? Eis a pergunta que não quer calar!
A resposta mais natural é que a ansiedade gerada na criança pela cobrança e excesso de expectativas dos pais ultrapassa os limites saudáveis dessa energia e acaba por tornar a criança improdutiva. Ela, a criança, entra “sem querer” em um ciclo nocivo vicioso, pois a improdutividade, por si só, diminui consideravelmente o senso de competência afetando a auto-estima, gerando ainda mais ansiedade e cujos efeitos colaterais podem variar desde o desinteresse e a apatia momentânea, passando pela rebeldia e até chegar a deflagrar tendências depressivas.
Há situações ainda piores quando, por exemplo, a criança já possui alguma dificuldade relacionada à atenção e memória e sofre a pressão dos pais ou professores por resultados satisfatórios e imediatos. Neste caso o cortizol, hormônio do estresse, em abundância no organismo afeta a comunicação neuronial causando ainda mais embaraço, com razoável prejuízo de raciocínio, memória e consequentemente afetando o desempenho biopsicosocial e acadêmico dessa criança.
Foi pensando nisso que implementei o Projeto Arte e Aprendizagem, baseado em modelos já existentes e que utiliza de recursos artísticos como pintura, colagens, entre outras técnicas artesanais para atuarem como coadjuvantes do trabalho psicopedagógico de avaliação, potencialização de habilidades e amenização das dificuldades de aprendizagem. Em cada oficina a criança tem a oportunidade de se mostrar e de se sentir única e especial, e isso tem um efeito fantástico no desempenho delas.
Já sabemos que a arte desenvolve na criança habilidade perceptiva, capacidade reflexiva e formação de consciência crítica, além de potencializar memória, atenção, raciocínio lógico e trabalhar, sem a conotação de tratamento, aspectos emocionais, sociais e auto-estima podendo inclusive atuar como eficaz coadjuvante no tratamento da depressão, do efeito bullyng, entre outros males.
A arte aplicada à aprendizagem, integrada a outros recursos expressivos numa relação de complementação nos possibilita trabalhar a pessoa, de dentro para fora, focando primeiro o processo para posteriormente lograr, no ritmo e limitações particulares de cada criança os resultados mais adequados e que, eventualmente, podem ficar aquém ou até ultrapassar aqueles angustiosamente esperados.
A arte solicita do artista introspecção, reflexão e concentração. Enquanto criam, as pessoas ficam calmas, atentas, com os olhos focados em sua produção e os resultados esperados de desenvolvimento e superação de dificuldades são conseqüências naturais.
Se mesmo com toda esta argumentação você não ficar convencido de que a arte tem papel significativo nos processos de ensino-aprendizagem evite:
Comparar o desempenho de uma criança com qualquer outra que seja, ainda que gêmeas;
Pressionar e cobrar além dos limites, praticando o efeito bullyng parental;
Eleger um elevado padrão de desempenho para seu filho(a) alcançá-lo(a).
Prefira:
Manter um diálogo sereno e racional sobre limitações;
Estabelecer conjuntamente metas comuns de auto-superação;
Dar apoio nas dificuldades, exercendo flexibilidade e equilíbrio;
Valorizar pequenos mas significantes resultados;
Valorizar os aspectos e dinâmica do processo em vez dos resultados;
Procurar novas formas de fazer a mesma coisa de um jeito diferente e criativo relacionado-as aos interesses, necessidades, desejos e expectativas da criança.
Caminhos para aprendizagem
Chafic Jbeili
Porque algumas pessoas aprendem mais rápido do que outras?
Porque algumas pessoas demonstram mais aptidão para aprendizagem?
Será que existe uma ponte entre as dificuldades e as facilidades da aprendizagem?
Será que há um caminho que pode ser trilhado por todos para alcançar o sucesso escolar ou acadêmico?
Eu digo que sim!
Em primeiro lugar é preciso desvencilhar-se da péssima tendência da comparação com o outro. A única comparação viável e aconselhável é com a própria pessoa em diferentes fases. Não se deve comparar Joãozinho com o Zezinho, mas o Joãozinho com ele mesmo e o Zezinho com ele mesmo. Aquela brincadeira do antes e depois em relação a si mesmo é muito bem vinda nesse caso, desde que haja disposição para avaliar construtivamente as causas que modificaram um estado anterior para um estado atual.
A comparação de qualquer natureza entre pessoas é uma tormenta tão perversa quanto imagino deva ser a própria condição do inferno.
Em segundo lugar é preciso observar as limitações irreversíveis que cada pessoa possui, entre elas, dificuldades ou debilidades nos órgãos do sentido que impedem a aprendizagem. Quanto às limitações variáveis, estas podem ser trabalhadas e as potencialidades ampliadas como é o caso da atenção e da memória, componentes essenciais para a compreensão e retenção de conteúdos essenciais ao aprender.
Em terceiro lugar é preciso compreender que o corpo é como uma máquina e precisa de combustível para funcionar. O combustível do corpo é o alimento. Alimentos ricos em fósforo, potássio, cálcio favorecem o funcionamento do cérebro e, por conseguinte a disposição para a aprendizagem. Crianças mal alimentadas e desnutridas dificilmente terão atenção e memória suficientes para compreender e reter qualquer conteúdo. O pouco do nutriente que lhe está disponível no corpo é para manter as funções primárias (coração, respiração etc) em funcionamento e, às vezes, mal consegue mantê-la em pé. Nota-se a disposição debilitada de crianças que já acordam cansadas e que pedem colo o tempo todo. Mal conseguem correr 20 metros e já estão exauridas. Não há energia sobrando para suprir de forma significativa as funções secundárias, tais como atenção e memória, por exemplo. Como poderão investir energia em aprendizagem?
Antes de lecionar qualquer conteúdo verifique se a pessoa está alimentada e descansada.
Em quarto lugar destaco o estado emocional. Crianças que vivem em ambientes com clima de medo e tensão possuem maior quantidade de adrenalina e cortisol no organismo. A adrenalina acelera o metabolismo do corpo para elevar a freqüência cardíaca e aumentar o fluxo sanguíneo nos músculos e, assim, deixar a pessoa preparada para fuga ou defesa. Esse processo gasta enorme quantidade de glicose e oxigênio, sendo que o cérebro desprovido destes dois componentes perde sua condição de consciência e racionalidade, operando por impulso e mantendo apenas o controle das funções primárias. Como poderão dispor de atenção concentrada na atividade de aprendizagem?
Antes de lecionar qualquer conteúdo, faça algum exercício de respiração com o aprendente e proceda alguma dinâmica de relaxação para que o cérebro retome seu estado de consciência e racionalidade.
Em quinto lugar, estando a criança alimentada e relaxada, utilize do lúdico para lecionar qualquer conteúdo, pois o componente emocional no processo ensino-aprendizagem é essencial para fixação de conteúdos significativos. Mesmo considerando as eventuais limitações que cada pessoa possui, aprenderá melhor e mais rápido aquele que estiver bem alimentado, com suas necessidades básicas saciadas, com baixos níveis de adrenalina e cortisol no organismo e que tenha a oportunidade de aprender brincando e brincar aprendendo.
Para aprender a pessoa precisa estar adequadamente alimentada, descansada, sem excesso de cortisol no organismo, sem excesso de adrenalina, protegida para errar à vontade e estimulada a manipular o conteúdo proposto de forma lúdica e divertida.
Para selar esse processo com parafina real e formar um ciclo vicioso produtivo ofereça reforço positivo ao comportamento esperado, elogiando os resultados (por mínimo que seja) e valorizando cada pequena conquista com demonstrações de afeto, carinho, reconhecimento e amor, muito amor! Estes são os caminhos para aprendizagem e não há quem resista, ainda que haja limites e limitações nas pessoas ou no fascinante processo ensino-aprendizagem.
Porque não falar de flores, beija-flor e pimenta?
Chafic Jbeili
As flores são doces, meigas, cheirosas, sensíveis e de uma beleza irresistível, por isso atraem de tudo! Moscas, vespas, borboletas, abelhas e até beija-flor, esse meninão carente, brincalhão, de asas esvoaçantes que se delicia e se lambuza no doce néctar com que lhe premiam as flores. Os insetos gostam do corpo da flor e a devoram. O beija-flor gosta de quem a flor é, e por isso não a devora, mas a faz sentir na alma sua carinhosa e picante presença. Os insetos exploram a superfície das flores, mas o beija-flor toca sensível o âmago de seu ser, e a faz sentir como ela é: uma linda flor e não comida de insetos.
O beija-flor se esforça em bater repetida e velozmente suas asas, pois sabe que o que a flor tem a lhe oferecer vale o esforço do vôo desgastante, arriscado, pois parado torna-se alvo dos algozes predadores. Mas o risco vale suas penas, tanto que o contumaz beija-flor sempre volta para receber o que as flores têm a lhe oferecer! Quão monótona e sem gosto seria a vida do beija-flor não fosse a doce existência das flores. E quão amargo o destino das flores se apenas servissem de alimento aos esfomeados insetos.
A flor completa o beija-flor e este a faz sentir viva, querida, amada, desejada e a mais bela das flores.
Pobre da flor que tem sua peculiar beleza e apurada sensibilidade ignoradas, rejeitadas e até feridas pelas insalubres presenças dos insetos que machucam suas sedosas pétalas, maculam sua beleza, mancham o colorido e contaminam o perfume que são peculiares às flores.
As flores e o beija-flor se parecem em suas essências; na sensibilidade de um e de outro; na pureza de suas existências, na paixão que um nutre pelo outro; em seus gostos e em seus desgostos. E a cada novo desejo ela, a flor, exala cada vez mais forte o seu doce perfume como quem chama o beija-flor que a faz lembrar quem ela realmente é: uma linda e sedosa flor.
A pimenta é um condimento picante. A especiaria mais utilizada para temperar alimentos em todo mundo. Ela realça o paladar e faz da comida insossa um manjar memorável. Seu sabor ardente tem propriedades medicinais: funciona como analgésico natural e é muito indicada para dores de cabeça, além de favorecer a digestão e ser capaz de cicatrizar feridas.
A pimenta é poderoso antioxidante e, por isso, rejuvenesce de um dia para o outro quem dela, ao menos um pouco, faz uso.
A pimenta é também símbolo de paixão e assim a vida deve ser temperada: com paixão! A paixão está para a vida, assim como a pimenta está para a comida e para quem dela, ao menos um pouco, faz uso. A paixão realça o sabor da vida ou do que quer que se faça com ela. A paixão, assim como a pimenta, tem o poder de cicatrizar as feridas e os desgostos vividos. A paixão sara o amor mal correspondido e reascende valores não reconhecidos. A paixão, assim como a pimenta é antioxidante e por isso rejuvenesce quem dela faz uso regularmente.
As flores e o beija-flor têm em suas relações os significantes da pimenta e, assim, confortam, acolhem e curam um ao outro com as propriedades medicinais que têm a pimenta e a paixão, amenizando dores, cicatrizando feridas e revitalizando-se mutuamente. Só a paixão é capaz de reaver nas flores as características de sua sublime existência e suscitar no beija-flor a coragem de um vôo obstinado.
Mas as flores não pertencem ao beija-flor e este não é o tempo todo das flores. Como pode alguém gostar e cuidar de quem não é seu? A verdade é que ninguém é de ninguém e amar é ter na felicidade do outro a sua própria felicidade. Quem ama não se ocupa em pertencer ao outro, assim, flores e beija-flor se amam em silêncio e se cuidam mutuamente como dois apaixonados que se gostam e por isso se presenteiam com a presença do outro. Cada um se revigora, se cura e se rejuvenesce na presença do outro. Então, porque falar de flores, beija-flor e pimenta, a não ser para lembrar-lhe que a vida deve ser vivida com paixão e que deves se apaixonar por quem é apaixonado por ti sem pretender possuí-lo(a) o tempo todo?